História do Exú Morcego

Em um castelo, inteiramente de pedra, mal cuidado e isolado no meio de uma floresta, típico daqueles pertencentes ao feudo europeu, vivia um homem branco e corpulento, trajando uma surrada roupa, provavelmente antes pertencente a um guarda-roupa fino. Percebia-se o desgaste causado pelo passar do tempo, pois ainda carregava uma grossa e rica corrente de ouro de bom quilate, com um enorme crucifixo do mesmo cobiçado material. Parecia viver na solidão, muito embora no castelo vivessem vários serviçais.
Porém nem sempre foi assim, era um cientista renomado, e apaixonou-se por uma linda mulher, porém sua amada já tinha seu companheiro, após uma revolta utilizou de uma armadilha e matou o marido da donzela que não o pretendia, após o ocorrido ele se trancou na torre do castelo, onde muitas vezes era seu local de estudos.
No momento sua cabeça estava revoltada, e ele implorava ajuda e auxílio de Deus, porém no desespero, quando a ajuda não venho, ele se ajoelhou e segundo a entidade João Caveira, ele entoou as seguintes palavras.
“Se o Bem não me quer, em entrego ao Mal de braços abertos”.
E ajoelhado encostou a cabeça na fria pedra da parede com as mãos também apoiando a parede.
Nunca mais ouviu-se falar daquele homem.
Ao passar dos anos a torre do castelo foi esquecida, até que um dia uma geração depois, um homem quis saber o que havia naquela torre. Ao abrir a pesada porta, viu as janelas fechadas com pedra, e só pequenas frestas foram feitas no alto das paredes. A luz não podia entrar. A torre não tinha paredes internas, formando uma enorme sala, com pesada mesa de madeira tosca, tendo como iluminação dois castiçais de um só vela cada, as velas estavam acessas. Ao lado da tênue luz das velas, livros se espalhavam sobre a mesa, mostrando ser aquele homem um estudioso e que algo buscava na literatura. Ao melhor a iluminação do local, viu de braços abertos, com um capuz preto cobrindo sua cabeça, ajoelhado olhando para parede, escutou estranhos e finos sons, quando colocou um pé para dentro da sala, o capuz bateu como asas, e voou para cima, restando somente pó.

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